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Arnaldo Antunes – O mosquito
O mosquito me beijou
o verme me comeu
a terra me sugou
a larva cresceu
o mosquito me beijou
a borboleta me lambeu
o urubu me bicou
o lixo era eu
o mosquito me beijou
o brejo era eu
a sanguessuga me chupou
o rato me roeu
o mosquito me beijou
depois morreu
(Arnaldo Antunes/Edgard Sandurra)
“…Uma criança nascendo, obrigado Senhor
Seja lá quem for o Senhor
Seja lá quem for a Senhora
A quem quiser me ouvir e a mim mesmo
Preciso dizer tudo que eu estou dizendo agora…”
Gabriel Pensador
Leia abaixo um pouco mais sobre estas coisas……

Quem é o homem que eu estou vendo ?
Onde eu deveria estar?
Perdi meu coração
Eu enterrei fundo demais
Sob o mar de ferro
Bola de cristal salve todos nós!
E me diga que a vida é bela
Estou me esvaindo
Tudo o que sei esta errado
…eu me olho no espelho
mas não há ninguem…
Keane – Crystall Ball
“Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.” João 3:17
Linkin Park – What I’ve Done
.
“So let mercy come, and wash away…”
Então deixe a misericórdia* vir e levar* embora
*misericórdia: ter compaixão pela miséria alheia
*levar: no sentido de uma onda que destrói, uma maremoto…
“Falta de fé parece então consistir em desistir de retornar, de tentar mais uma vez. O que não crê se entrega nos braços do (des)espero, do não esperar mais nada das pessoas, de si mesmo, de Deus.” Gladyr Cabral
O ditongo nasal tônico “ão” é uma singularidade da lingua portuguesa
Veja como Lenine brinca com esta característica da Nossa Lingua
Ecos do ão Acústico MTV
Composição: Lenine e Carlos Rennó
Rebenta na Febem rebelião
um vem com um refém e um facão
a mãe aflita grita logo: não!
e gruda as mãos na grade do portão
aqui no caos total do cu do mundo cão
tal a pobreza, tal a podridão
que assim nosso destino e direção
são um enigma, uma interrogação
Ecos do ão
e, se nos cabe apenas decepção,
colapso, lapso, rapto, corrupção?
e mais desgraça, mais degradação?
concentração, má distribuição?
então a nossa contribuição
não é senão canção, consolação?
não haverá então mais solução?
não, não, não, não, não…
Ecos do ão
pra transcender a densa dimensão
da mágoa imensa então, somente então
passar além da dor da condição
de inferno e céu nossa contradição
nós temos que fazer com precisão
entre projeto e sonho a distinção
para sonhar enfim sem ilusão
o sonho luminoso da razão
Ecos do ão
e se nos cabe só humilhação
impossibilidade de ascensão
um sentimento de desilusão
e fantasias de compensação
e é só ruina, tudo em construção
e a vasta selva, só devastação
não haverá então mais salvação?
não, não, não, não, não…
Ecos do ão
porque não somos só intuição
nem só pé-de-chinelo, pé no chão
nós temos violência e perversão
mas temos o talento e a invenção
desejos de beleza em profusão
ideias na cabeça, coração
a singeleza e a sofisticação
o choro, a bossa, o samba e o violão
Ecos do ão
mas, se nós temos planos, e eles são
o fim da fome e da difamação
por que não pô-los logo em ação?
tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização
tão singular igual ao nosso ão
e sejam belos, livres, luminosos
os nossos sonhos de nação.
Ecos do ão
Ecos do ão


