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Outravia está mudando de casa, agora todos os textos no mesmo endereço…

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A regra para todos nós é perfeitamente simples. Não fique aí perdendo o seu tempo para pensar se “ama” ou não o seu próximo; aja como se você já o amasse. Pois, assim que fazemos isso, acabamos descobrindo um dos maiores segredos da vida. Quando você age como se amasse alguém, acaba por amá-lo de verdade. Se você ofende alguém de quem não gosta, acaba gostando dele muito menos ainda. Se você lhe der uma boa resposta, vai desgostar menos dele. É claro que existe uma exceção a essa regra. Se você lhe der uma resposta gentil, não para agradar a Deus e obedecer à regra da caridade, mas para lhe provar que é um cara legal e capaz de perdoar, colocando-o em dívida com você, e depois sentar-se e esperar que ele demonstre sua “gratidão”, provavelmente acabará ficando desapontado. (As pessoas não sob bobas; elas detestam qualquer tipo de exibição ou tentativa de autopromoção.) Mas sempre que fazemos o bem a outro ser humano só porque se trata de outro ser humano criado por Deus (como nós mesmos), desejando a felicidade dele da mesma forma que desejamos a nossa, é provável que tenhamos aprendido a amá-lo um pouco mais ou, pelo menos, a desgostar dele um pouco menos.
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C.S. LEWIS no livro “Cristianismo Puro e Simples” o mesmo autor do livro transformado em filme “As Crónicas de Narnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”

Encontros são milagres ou são macumbas — milagres quando os sentimos bons, e macumbas quando os sentimos maus.

Quase ninguém pensa no milagre do encontro. Entretanto, num mundo imenso para nós, cada vez maior nas quantidades, cada vez menor nos espaços, em meio a tantos bilhões de variáveis, nas quais átimos de volição ou impulso podem mudar montanhas ou fazê-las sumirem na cratera do esquecimento ou da não-percepção.

Um encontro errado, uma pessoa errada, uma iniciação errada, um amigo errado, um dia mal, uma decisão equivocada, uma conseqüência inapelável, uma existência convertida em outra, um outro sentir, um outro ver-se a si mesmo, um outro ver-se no olhar dos outros, uma outra definição de si mesmo perante o mundo, uma outra postura, talvez agressiva, talvez passiva; enfim… — um outro produto humano como variável de uma matriz original de infindas alternativas.

A liberdade do homem reside na sua ignorância das infindas alternativas.

O homem é livre de saber, pois, saber lhe seria a angustia insuportável tomando-o por todos os lados.

Quando eu era menino deseja conhecer um ladrão. Aí pelos meus sete anos apareceu um ladrão roubando no escritório de meu pai; à época advogado.

Papai havia me dito que se pegassem o larapio eu iria conhecer um ladrão.

Pegaram-no. Nós fomos. Era um domingo à tarde. À porta do escritório meu pai pediu que eu esperasse no carro. Ele queria sondar o terreno. Minutos depois voltou lívido. Disse-me que o ladrão ficaria para outro dia…

Não aceitei. Ele sempre mantinha a palavra.

Então ele me disse que não me levaria até lá, mas que me diria quem era; tão somente eu guardasse segredo para sempre. Prometi. Ele sabia que eu guardava. Ele me treinara e educara para isso também.

— Meu filho, o ladrão é nosso amigo. É filho de minha comadre. É seu amigo de bola e de estádio aos domingos. É o fulano… Mas para que ele não fique envergonhado de saber que você sabe, não iremos lá; e você nunca o deixará saber que sabe; e vai tratá-lo como se não soubesse. Não é ladrão; apenas roubou.

Mas e se a atitude de papai fosse outra; e se divulgasse; e se chamasse a polícia; e se me deixasse ver; e se… — o que teria sido do moço; ou de mim; ou de todos nós? Uma resvalada; e tudo muda para sempre.

Uma pessoa toma uma decisão de visitar amigos, gosta do lugar, muda para lá, e encontra alguém que muda a sua vida. Mas o que a tirou de casa foi uma delicadeza para com um amigo que insistia e pedia uma visita.

Uma disputa entre amigos em razão de uma banalidade faz um rapaz e uma moça se encontrarem, e, mesmo sem amor para tal, casarem-se. E suas vidas nunca mais poderem ser outra coisa.

Um encontro. Um ato impensado. Um filho. E um destino radicalmente alterado.

Uma decisão: “Desço ou não do ônibus aqui nesta parada?” — e a vida da pessoa pode mudar para sempre; pois, nesta hipótese, a mulher que desce do ônibus tropeça na descida, e cai nos braços de um homem que a ampara daí pra sempre.

Assim, um dia, saberemos por quantos atos milagrosos fomos feitos e fomos salvos.

Entretanto, é bom se veja e que se busque entender cada instante-milagre que nos acomete.

Um segundo a mais… — e ele, ela, teriam virado a esquina para além do alcance de nosso olhar…

Tudo é co-incidência: incide junto.


Quase tudo em nossa vida é feito de “acasos” carregados de “desígnios”; e se desígnios não tivessem, mistério, todavia, não lhes faltaria; pois é como é possível que um segundo antes ou depois nos roubassem a oportunidade daquilo que passou a ser o resto-todo de nossas existências?

Assim, encontro é milagre, até quando é um mijagre.

Pense nisso!
Caio
Fonte Caiofabio.com
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Uma filme que tenha tudo haver com este texto? Veja “Não por Acaso” Imperdível!!!

Amor e morte, cada um deles nasce, ou renasce, no próprio momento em que surge, sempre a partir do nada, da escuridão do não-ser sem passado nem futuro; começa sempre do começo, desnudando o carater supérfluo das tramas passadas e a futilidade dos enredos futuros…
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… não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas nos estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.
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Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual grande incógnita da equação do outro. É isso que faz o amo parece um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas , em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade do ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida… sem humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeira”, afirma Erich Fromm – apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar sera sempre, necessariamente, uma rara conquista”
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E assim é numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resulstados que não exigem esforço prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro. A promessa de aprender a arte de amar é a oferta ( falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de construir a “esperiência amorossa” à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultado sem esforço.
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Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.
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Retirado do livro Amor Líquido de Zygmunt Bauman
Banda de idosos grava The Who e vira sensação na internet, veja versão com legenda

The Zimmers em Abbey Road
Os 40 integrantes do grupo têm mais de 90 anos de idade
Uma banda britânica integrada por 40 pessoas, todas com mais de 90 anos de idade, está causando sensação na internet cantando uma versão do clássico My Generation, dos roqueiros The Who.

Poucas semanas após ser gravado, o vídeo do grupo recebeu mais de dois milhões de hits no YouTube, tornando-se o campeão de visitas do site.

A banda, The Zimmers, se apresentou nos Estados Unidos e foi notícia em mais de 60 países.

A idéia partiu de Tim Samuels, autor de um documentário que tenta chamar a atenção para o drama de milhões de aposentados britânicos que vivem hoje solitários e abandonados.

São 3,5 milhões de idosos vivendo sozinhos e meio milhão morando em asilos.

“Eu quis fazer um documentário que mostrasse como nós tratamos os nossos idosos neste país”, disse Samuels.

“Se você fosse julgasse uma sociedade pela forma como ela trata seus idosos, estaríamos em apuros”, acrescentou.

Voluntários

Mas Samuels não queria apenas mostrar os idosos como vítimas.

“A idéia era mostrar como são marginalizados mas também fazer algo que os ajudasse a reagir.”

“Queríamos colocá-los de volta no centro da sociedade. E existe maneira melhor de conseguir isso do que estourar na parada pop?”

Samuels viajou pela Inglaterra procurando idosos que quisessem gravar um single. Segundo ele, a maioria achou a idéia meio ridícula, mas resolveu aceitar.

Alguns já tinham até ouvido My Generation, do The Who.

Abbey Road

Formada a banda, Samuels pediu a ajuda de gente da indústria da música.

Mike Hedges, produtor do U2, Dido e The Cure, aceitou produzir o single.

Neil Reed, da gravadora X-Phonics, concordou em lançá-lo.

E Geoff Wonfor, diretor do vídeo do Band Aid, resolveu fazer o clipe.

Para a gravação, Samuels conseguiu nada mais, nada menos, do que o lendário estúdio Abbey Road, onde os Beatles gravaram.

No dia da gravação, ninguém sabia direito o que ia acontecer. Até que Alf, de 90 anos, pegou o microfone e começou a cantar a letra de My Generation: “I hope I die before I get old” (espero que eu morra antes de ficar velho).

Samuels disse que nesse momento percebeu que algo muito especial estava acontecendo.

O single provocou uma resposta internacional.

“É um fenômeno universal”, diz Samuels. “Toda sociedade se preocupa com a forma como os idosos são tratados e se comove ao ver um grupo deles se juntar, bem no estilo rock’n'roll, para se fazer ouvir.”

“Com sorte (a experiência) vai questionar alguns preconceitos sobre os idosos.”

Além de Alf, outros integrantes do grupo são Buster, de 100 anos. E Winnie, de 99.

“Estou me divertindo muito”, diz Winnie, apoiada em uma bengala.

“Eu nasci de novo”, diz Alf. “Eu tinha 90 anos e estava preso em uma rotina. Agora sinto que estou vivendo novamente.”

Fonte : BBC

Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões. Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava. Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado. Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos.
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Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia: “Tenho de partir.” A menina chorava e implorava: “Por favor não vá fico tão triste. Terei saudades e vou chorar…” “Eu também terei saudades”, dizia o pássaro. “Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar.” E partia. A menina sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: “Se o Pássaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola.” Assim aconteceu.
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A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda. Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu. A menina, aproveitando-se do seu sono, o engaiolou. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor. “Ah! Menina…que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora…” A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por acostumar. Mas não foi isso que aconteceu.
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Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo… Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. “Pode ir, Pássaro”, ela disse.” Volte quando você quiser…” “Obrigado, menina”, disse o Pássaro. “Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo, quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você!
Rubem Alves


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O poder da validação
Stephen Kanitz

“Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem” Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os superconfiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator relaxa e parte tranqüilo para o resto do espetáculo. Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada artigo que escrevo e corro desesperado para ver os primeiros e-mails que chegam. Insegurança é o problema humano número 1.

O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir essa insegurança? Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora de nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.

Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor. Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja.

O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição. Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: “Você tem significado para mim”. Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “Gosto de você pelo que você é”. Quem cunhou a frase “Por trás de um grande homem existe uma grande mulher” (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar. Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo.

Estamos tão preocupados com a própria insegurança que não temos tempo para sair validando os outros. Estamos tão preocupados em mostrar que somos o “máximo” que esquecemos de dizer a nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo” são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos. Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se ou dominar os outros em busca de poder. Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos. Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia.

Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um “valeu, cara, valeu”. Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

SENTIR-SE AMADO
Martha Medeiros

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando?

Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.” Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

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AMORES PLATÔNICOS

Todos os adultos do mundo já tiveram ao menos um amor platônico. O aluno pela professora, a professora pelo vocalista da banda, o vocalista pela vizinha do terceiro andar, a vizinha pelo chefe casado, o chefe pela cunhada. É o poético Maria que amava Jorge que amava Suzana que amava Luiz que amava Fátima que não amava ninguém. Tá assim, ó. Muitos deles estão sozinhos até hoje. Outros estão acompanhados, mas cultivam um amor secreto, o que os faz sentir sozinhos também. Só não está sozinho quem está apaixonado e sendo plenamente correspondido. O resto vai passar a semana dos namorados praticando seu esporte favorito: fantasiar. Ninguém escolhe vivenciar um amor platônico, mas quando isso acontece, muitos, sem perceber, apegam-se a ele, pois é um amor idealizado, romântico, sofrido, que nos faz sentir heróicos por suportá-lo apesar de todas as dificuldades.

O platonismo nos torna vítimas de um amor impossível, e há quem goste de desempenhar este papel, pois ele atrai a piedade dos outros ao mesmo tempo que nos isenta de ir à luta. É difícil medir o quanto há de amor verdadeiro e o quanto há de autoflagelo em alimentar um sentimento não retribuído. O amor precisa ser uma via de mão dupla. Ele sobrevive através do dar e do receber. Amar sem ser amado é uma coisa que acontece todos os dias em todos os lugares, mas a manutenção deste amor depende da pessoa que ama: ou ela tenta escapar desta armadilha, abrindo espaço para que um amor mais concreto e saudável venha preenchê-la, ou ela morre de esperança. A vida é curta e não merecemos dedicar tanto tempo a um amor que não se realizará jamais.

Os românticos dirão que é melhor um amor vivenciado unilateralmente do que amor nenhum. No meu dicionário, isto é falta de auto-estima. São pessoas que dão de comer a fantasmas: ficam olhando fotos, provocando encontros “casuais” e sonhando com cenas perfeitamente plausíveis em uma novela mexicana, mas não na vida real. Se o alvo da nossa paixão está disponível e tem uma vaga noção da nossa existência, tudo bem tentar realizar este amor, pois ele é viável. Já o amor platônico é, por definição, estéril. Só gera solidão.

Martha Medeiros